segunda-feira, 27 de abril de 2020

Espinho

27 de abril de 2020.
A segunda-feira mais acachapante de que se tem notícia. Escrevo a data porque dizem que poeta não tem memória, por isso escreve. Escrever é solitário, é exaustivo, é um peso! Todas as frustrações e os pensamento lúgubres eternizados pela ponta do grafite, sem inicio ou fim, apenas seguindo a vontade ditada pela tristeza.

Como é infeliz a urgência por escrever! Uma necessidade prolixa de sofrer a cada palavra. Cortante, dilacerante, como ouvir Marisa Monte ou Tim Maia de madrugada, com um copo de uísque e a mesma camiseta de três dias.


Escrever é uma reação indesejada, porém inevitável. É como um prego que, mesmo martelado, insiste em não perfurar a superfície para a qual é impelido, mas não sem deformar-se, sem sentir cada impacto.


Assim, escrever se torna necessário. Se não para o indivíduo, para o mundo. Se não houver quem escreva, não haverá quem sinta. Não haverá quem se deforme. E não existe vida que se sustente sem que se lhe mude a forma.

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