dizem que toda luz parece que se acende por alguma razão. não acho que seja verdade. as vezes, acende porque tudo contribuiu pra que sim.
um sujeito qualquer observa as luzes da cidade, de um apartamento qualquer, de um prédio qualquer, em um bairro qualquer.
cada luz que se apaga e cada outra nova que se acende, em sua cabeça, contam uma história. mas a verdade mesmo é que não têm porra nenhuma; a gente é que envelhece
e se acentua a necessidade de confabular, dentro da própria cabeça, com nossos próprios demônios. é medo de admitir que o chão sobre o qual a gente pisa,
em que a gente confia tanto e tanto mais deposita sobre, é efêmero.
os textos mais difíceis de escrever não são os que contam estórias de fantasia; inimagináveis para um reles ser que não o dotado
de uma capacidade arrebatadora de criar - os devaneios mais insanos da nossa mente. não.
são os da verdade. a verdade nua e crua. a verdade que cada movimento - de rotação e translação - joga na nossa cara, enquanto as rugas ficam mais evidentes.
porque são esses que a gente não quer que exista; não é o maravilhoso que evitamos. é a rotina maltrapilha. é o que acontece mesmo. é o que dói na carne.
"mais uma luz se apaga no prédio em frente ao meu"
quem tem o poder do interruptor? quem tem que apagar a maldita luz? quem encerra sumária e arbitrariamente o brilho, que outrora fora perfeito, a ponto de cegar?
quem, caralhos, tem a prepotência de se julgar responsável?
de que adianta observar todas as luzes, se a que eu costumava apagar, antes de te desejar uma boa noite e de te acariciar, eu já não posso mais, com minhas próprias mãos, controlar?
essa luz se apagou. eu apaguei. pra nós dois. ia se queimar. melhor evitar o dano. mas quem, caralhos, me disse responsável?
alguém tinha que ser.
não se preocupem. os dois. outras serão acessas. pros dois.
Tempo é domínio; usado para o que se tem fascínio, mesmo que quando menino. Por isso é no ônibus, entre a ilha e o continente, que escrevo sobre o que me faz contente.
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