sábado, 19 de abril de 2025

múltiplos

no tumulto da escrita de si
tinta se confunde com sangue
e resta escrava do impulso mais primal
o de evitar não ser
como a busca pulsante pela subversão que é ousar existir
cindido, em mil pontos e outros mais
que se desencontram, à revelia
e outra vez se tocam

mesmo que entre cacos, inteiro
mas nunca um só
milhões, todos em mim
barroco
irregular, no meu próprio eu

e você? 
veio a calhar.
tuas multidões engolem as minhas com volúpia
me vejo mais perdido do que jamais antes,
e em ti me desencontro, outra vez
mesmo sem querer, tendo já desistido de me atinar
esbarro nos meus muitos eus
enquanto a busco a sorte de avistar um único você.

terça-feira, 15 de abril de 2025

o crime e a fuga

esta noite, o amor fugiu de casa
me disparou no peito desilusões
à queima roupa
sorriu, com meu corpo ainda quente 
e saiu pela janela
sem olhar pra trás 

disseram tê-lo visto por esquinas
variadas
entre versos e risadas
com um copo na mão e fumaça ao redor

levou meus livros, a paixão
e a vontade de viver

tolo fui eu 
que acreditei ser possível capturar
o que só se pode ter à revelia

permaneço aqui, morto
até que outro venha
me ressuscite
e seja manhã outra vez

feixe de luz

se em um traço curvado a lua se destaca como marca indelével de beleza  estática e estética também tu te desvelas em cada abrir e fechar dos...