segunda-feira, 4 de maio de 2020

A Deus Entregues (Ode)

Se te toco o lábio,
mesmo que não com os meus,
sinto um palpitar tão dúbio 
como o grito de mil coliseus.

Se me tocas as pernas,

ainda que tensas pelo nervosismo,
perigas lançar-me no abismo
De desejar tuas carícias eternas.

Teu sorriso. Ah, teu sorriso!

Que o lápis divino cuidou de desenhar.
Faz que o tempo passe sem aviso.

Se não posso agora tocar-te o corpo, 

vou lembrar-me de teu amor em desconforto.
Pelo teu sorriso, que me pode a pele penetrar. 

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