segunda-feira, 25 de maio de 2020

Chorei meus prantos e soluços, lágrimas do desencanto no escuro

tinha tudo
e, por saber que tinha tudo, quis mais
foi-se o símbolo do nosso amor
eu chorei

nunca deixei para trás as armas e os navios
ainda olho para o tempo e para seus feitos
e a certeza da escolha sábia
é a flecha que me atravessa o peito
foi-se o símbolo de nosso amor
pranto

sinto, todo dia, o tremor dos teus suspiros
os sonhos quase lúgubres que embalam meu desespero
foi-se a prova de nosso amor
soluços

lutar novas guerras
a busca pelo novo mundo
encontrar novas terras
coroar o ardor profundo
mas sem o símbolo de nosso amor, que foi-se
lágrima

nunca ousei usar de minha força para voltar o tempo
seria um desaforo com a originalidade da vida
e estás feliz! tu o dizes
mesmo sem o abrigo onde repousava nosso amor
desencanto

talvez não haja o que ouvir 
senão o sussurro do passado
és Sansão e eu Dalila
cortei-te os cabelos
perdeste a força
e eu me escorro
como cera
no apagar 
da última vela 
de nosso amor

escuro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

feixe de luz

se em um traço curvado a lua se destaca como marca indelével de beleza  estática e estética também tu te desvelas em cada abrir e fechar dos...