eu tenho medo.
me perguntas o porquê
que outra razão seria, senão a impotência?
não mandar dos desmandos do amor.
arbitrária que é, a escrita cria suas próprias leis. E é no pequeno acento que se assenta a gigante semelhança entre o doido e o doído.
detalhes.
por vezes, quero de ti o carinho.
a captura da nossa felicidade, em retratos instantâneos e sem critério.
montanhas no Peru
ruas cheias da Bolívia
jardins na Argentina
toda a América Latina.
palco dos nossos atos.
escrever contigo um épico
nossas próprias linhas
ora trágicas... ora cômicas
sempre dramáticas.
os lençóis são as cortinas que dividem esse teatro.
outras vezes, quero de ti nada além de sangue.
quero sangue
raiva
que reajas!
que cometas uma infâmia, um delito... de sentimentos.
tão perfeito, sem mácula...
quero que me provoques a ira!
que me dês um motivo para não te amar
pra que me seja mais simples te deixar
já que não sou metade do que desejas
nem um quinto do que mercedes.
me provocas convulsão de sentimentos contraditórios.
eu tenho medo.
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