enquanto me encontro confinado
muito mais dentro de mim do que de um quarto
lanço mistérios para ser, agora ou sempre, por ti, notado
se há quem ache que não sei o significado do gesto
se há quem especule sobre a minha ignorância
não há quem tateie minha pele
como quem responde às perguntas
como quem persegue respostas, mais do que reciprocidade
como tu o fazes.
a rosa, que antes exalava perfumes roubados
o povo, que outrora ansiava por canção nossa
o doente, o encarcerado
o fazendeiro, o mal amado
todos calados. silenciados. distanciados.
a captura do indizível, pelos braços de uma mente louca
se dá na linha tênue entre a memória e a lágrima
bem quando a esperança cai ao chão, surrada
e pudera ser diferente?
estaria morta?
poderia não haver morrido, sumariamente?
justo em terras de ignorância e paliativos
cumpriu seu destino, sem a chance de desviá-lo.
de fato, assisto à minha própria plateia, aos prantos
grato por não ter de chafurdar em migalhas
ouvindo o terno sibilar, não tão distante
do vento em teu rosto
do sol em teu rosto
de meu rosto em teu rosto
eu mesmo, ciente de nós
e feliz por esperar.
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