sábado, 20 de janeiro de 2018

Rabiscos

Ao som das águas
e sob o sol que insiste em se expor, 
percebo almas, 
na escura areia, 
que almejam mais de sua existência
e suspiram pelo que se anseia. 

Entendo o sol, 
que vê a si como dádiva. 
Me pergunto se há algo novo; 
algo além da lágrima. 

Encontro resposta no bater das asas de aves que, 
ao transitarem desavisadas, 
não reconhecem que a vida é mais do que se espera. 
Quase sempre, 
para enganar-se, 
a mente se esmera. 

No horizonte se escuta um frisson pausado... 
do existir silencioso de vidas que vêm e vão. 
Vidas que nem sempre têm. 
Mas vidas que sempre estão.

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