a maldição do poeta é sentir cada pingo no i, dito ou oculto, como prego na madeira do corpo. este pobre maldito não é tocado pelo ciúme, mas cravado pela falta. não se trata, na maior parte do tempo, de não querer para outros - mas de desejar um pouco também para si.
eu mesmo, que poeta não ouso ser, apenas por escrever estas linhas despretensiosas, sinto o martelar no peito, como se apenas pra isso existisse meu corpo: uma tábua, destinada a ser porta, enquanto anseia ser na parede o teu quarto a moldura que abraça teu quadro.
as mãos que marcam e gravam tatuagem em pele própria, em paisagem onírica, se tornariam altruístas e concederiam a este velho cedro o grosseiro acariciar uma vez mais. ou mil. até que, de fato, não reste mais nada que não serragem.
"quero ficar no teu corpo, feito tatuagem, que é pra sentir coragem pra seguir viagem quando a noite vem"
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