quinta-feira, 9 de junho de 2022

verdes faróis

são duas da manhã or so e não há como saber se é o barulho da chuva ou o silêncio da minha cabeça, repetindo em linha cenas de nós dois, que não me deixa dormir. 

toda prosa tem um Q de qualquer-coisa com um N de não-sei-o-que que me ajudam a desembaraçar os sentires que entorpecem. a madrugada é visceral. 

toda poesia tem um alfabeto de arrepios que sutilmente se colocam e fazem do bruto escultura na qual não posso resvalar, senão olhar. sentir.

você tem os dois; prosa poética e poesia prosaica, fumaça do meu cigarro e verdes faróis. temos sido tudo e nada, barroco em essência, romântico em desejo e realista em forma. 

o asfalto que distancia há de ser via que possibilita o toque, três ou mais carícias, quatro ou mais delícias, cinco ou vinte palavras desencontradas que significam nada sozinhas e descrevem o funcionamento de todas as coisas quando postas de mãos dadas.

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