Me comes com os olhos e eu gosto de ser teu alimento
Instauras em mim sentimento tão impuro quanto denso
Tua mirada me atravessa
Tua íris como garras
Ponta de lança que dança em meu peito desnudo e inocente
Atravessado e rasgado pela malícia que tanto condeno
Veneno
Que gosto de tragar
Tuas pálpebras são portais para um lago ardente
Ode a Baco
Indecente
Fileiras de carícias desvairadas
Varridas por teus cílios para meu íntimo
No país onde não há controle
Ilegítimo
As pupilas dilatadas pela droga do teu toque
Abarcam todo o resto que nem sei
Só sinto
Interno
Inferno
Cambaleando pelas ruas da cidade
Desmorono com um simples piscar
Envolto pela fina córnea de imoralidade
Bradando por prazer ensandecido
Com prazo de validade
Umedecido
Que decidas logo
Me amas ou me matas?
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