terça-feira, 23 de novembro de 2021

(À)vista

Me comes com os olhos e eu gosto de ser teu alimento

Instauras em mim sentimento tão impuro quanto denso

Tua mirada me atravessa

Tua íris como garras

Ponta de lança que dança em meu peito desnudo e inocente

Atravessado e rasgado pela malícia que tanto condeno

Veneno

Que gosto de tragar

 

Tuas pálpebras são portais para um lago ardente

Ode a Baco

Indecente

Fileiras de carícias desvairadas

Varridas por teus cílios para meu íntimo

No país onde não há controle

Ilegítimo

 

As pupilas dilatadas pela droga do teu toque

Abarcam todo o resto que nem sei

Só sinto

Interno

Inferno

Cambaleando pelas ruas da cidade

Desmorono com um simples piscar

 

Envolto pela fina córnea de imoralidade

Bradando por prazer ensandecido

Com prazo de validade

Umedecido

Que decidas logo

Me amas ou me matas?

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