terça-feira, 23 de novembro de 2021

A Zombaria do Amor

Sentei no banco da frente ao mar e encontrei o Amor. E não me reconheceu. No primeiro instante, não soube se deveria me aproximar. Havia tanto que me deixara. Como reagiria ao meu menor gesto de saudade?

Esbocei alcançar sua mão.

O Amor se encolheu.

Sussurrei qualquer bobagem.

O Amor suspirou.

Abriram-se diante dos meus olhos, como agudo arquivo, divino e humano, as memórias daquele a quem encontrei, conheci e por quem chorei, quando sumariamente me deixou. 

Me levantei.

Foi quando virou-se e riu, dizendo:

- Meu bem, não te lembras de mim?

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