quarta-feira, 22 de julho de 2020

nada além de desejo

pele suada e molhada
boca sedenta e safada
olho fixado, mirada
violas e letras surradas

meu caderno rasurado e de linhas entrelaçadas se pergunta quando escreverei nele, outra vez, cada detalhe da tua respiração.

o autor está morto. o que resta sobrevive na tua interpretação.

mas que morte?

a morte do desejo, por exemplo.
que, de um jeito meio transcendente, ao se realizar, morre em um plano, pra renascer em outro.

e onde fica o poema?
na pequena semente
em cada lamento, um pedaço de gozo na terra
o que treme já foi um segredo

outra pequena semente
nos gritos mudos, o inteiro da revelação dos mares das tuas pernas
a força da maré nunca foi segredo

duas ondas entrelaçadas nos meus quadris.

nada é tão eterno quanto o efêmero vivido até a ultima gota.

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