quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

maré-tempo

maré,
o tempo é que nem maré
a gente para de olhar quando está calmo
e, feito mágica, se torna caudaloso
leva da gente gente que a gente ama,
como a maré, num barquinho, flutuando
pra além da linha do horizonte, a terra da saudade.

penso nela todo dia.
foi olhando o mar que vi, pela primeira vez, o tempo.

a maré te leva, como quem não quer nada, e o medo de se afogar entre dias e anos a fio toma conta.

mas tem vezes que a gente acha o canal
e meio que escoa numa praia nova, com amores lindos
a serem vividos,
de repente,
sem esperar.

tem tempo que o tempo me assombra.
quero mar.
quero tempo.
mergulho sem hora.

praia da vila, 24 nov. 2024

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