sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

o ecrã

é no detalhe íntimo do buraco de minhocas
pelo objeto xamânico que supera o tempo e o espaço
que nossa alquimia acontece

o reembaralhar dos elementos e dos sentidos
dos momentos juntos vividos
dos suspiros de mais que amigos 
dos cigarros ainda não acendidos

só o que nos falta é... o que nos falta?
botemos em pauta
se tenho teus olhos e sei o que pensas 
se tens meus ouvidos e toda a essência 

seria a distância mesmo assim tão intransigente que intransponível?

embora minhas mãos não alcancem teus lábios...

(ah, e que lábios...)

mesmo assim, o que tens de mim é tão forte quanto o elixir que torna ébrio o mais sensato dos sábios 

o objeto banal
se transforma em canal
do desejo mais carnal
transcendental

por onde acesso a paixão
separo o ontem que não perdemos
do futuro que ainda não temos
e observo os infinitos

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