é no detalhe íntimo do buraco de minhocas
pelo objeto xamânico que supera o tempo e o espaço
que nossa alquimia acontece
o reembaralhar dos elementos e dos sentidos
dos momentos juntos vividos
dos suspiros de mais que amigos
dos cigarros ainda não acendidos
só o que nos falta é... o que nos falta?
botemos em pauta
se tenho teus olhos e sei o que pensas
se tens meus ouvidos e toda a essência
seria a distância mesmo assim tão intransigente que intransponível?
embora minhas mãos não alcancem teus lábios...
(ah, e que lábios...)
mesmo assim, o que tens de mim é tão forte quanto o elixir que torna ébrio o mais sensato dos sábios
o objeto banal
se transforma em canal
do desejo mais carnal
transcendental
por onde acesso a paixão
separo o ontem que não perdemos
do futuro que ainda não temos
e observo os infinitos
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