sábado, 21 de novembro de 2020

ode ao banal

estou vivendo pelo banal. nada além do completo despropósito passa pela minha cabeça. dou vazão a todo sentimento inócuo, trivial, passageiro e transeunte. as atitudes estéreis me alimentam. 

me sinto em um longo mergulho, como em profundidade infinita, a densidade age contra o crânio e a superfície se perdeu de vista. 

quem quer que viva sem saber que vive, não estará, de fato, vivendo. mesmo estando presente. e tocando em tudo. e movendo as coisas. 

é como facão sem fio, que não corta como deveria, mas sangra. na paulada. é como fina neblina, que impede a visão mais primária: a de si próprio. como a tempestade de areia, contra a qual não há luta. só se pode aceitar o infortúnio, por as mãos frente o rosto, lançar-se para trás e deixar-se cair.

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